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Não.
Não estou falando sobre o longa-metragem As Horas. Mas se quiserem podem colocar qualquer trilha sonora do John Williams. O cara é bom mesmo. Eu escrevo escutando Otis Redding que também foi injustiçado pelo personagem do artigo de hoje. O tempo.
Sabem aquele personagem de programa humorístico que é uma gorda esquisita debochando das neo-pobres? Pois é. Aquela que diz isso não te pertence maaais! Então. Hoje o Lorenzo completou três semanas de vida. Parece pouco, mas essas três semanas voaram. Me dei conta como voa o tempo quando hoje conversei com um amigo leitor deste blogue e ele falou que sua filha estava com dois anos e cinco meses. Dois anos e cinco meses! Ontem mesmo estávamos eu e Ernesto, codinome que uso prum amigo meu, no bar que o leitor era proprietário e rimos de sua cara quando pedimos o telefone pra daqui uns quinze anos ligarmos pra filha dele. Pois é, não é? Isso foi ontem, cara! E ela já tem mais de dois anos.
E eu sou pai e estou aqui escrevendo madrugada adentro com uma chuvarada gelada inundando Porto Alegre. Hoje seria uma daquelas noites que sairia da Lancheria (do Parque, né?) e encontraria o Zanella (esse habitante fantasma de Porto Alegre) e iríamos encher o saco dos outros num show de uma banda porto-alegrense que a gente não daria a mínima, afinal estaríamos bêbados. Mas isso foi quando mesmo? Menos de dois anos atrás. E o tempo passou.
Hoje o Lorenzo me ensinou algo novo. Depois que o limpei todo e ia trocar a roupa onde ele tinha mijado em tudo, eis que o moço me presenteia com a maior xixizama. Não acertou em mim porque ele é ainda muito pequeno. Mas mijou no próprio peito, nas pernas, ficou nadando no xixi. Nado de costas no xixi. Tive que apelar pros universitários! Acordei a Betine que estava dormindo pra perguntar como eu limpava ele sem ter que dar banho de novo. Usei um troço laranja ou rosa da Johnson, não vou lá no quarto agora ver qualé porque o Otis ta pegando nos fones e vai que o Lorenzo acorda e adeus inspiração do texto, no algodão e tive que limpar o rapaz urrando de frio e fome. Coitado. Comigo não tem chance dele ser mimado. É cada uma! Isso que depois de tomar a mamadeira ele ficou viajando na maionese olhando pros bichinhos da turminha do ursinho Pooh, pro ventilador de teto, pra cortina, sei lá proquê. Só que eu, pra não dormir e me entreter ligo o rádio. Pra passar o tempo que o Lorenzo usa conhecendo aquilo que eu nem faço idéia que existe. Afinal, eu não lembro o que fazia quando tinha a idade dele, assim como nenhum de nós lembra. E nem me venham com regressão que eu viro macaco.
Esse mesmo tempo que eu, insone, já aproveitava todo errado antes. Dormia depois do almoço, na mesa do escritório onde trabalho (ainda faço isso de vez em quando), dormia quando chegava em casa, dormia mais tarde, na madrugada, que eu não consigo dormir cedo. Nunca consegui. E temo que agora o Lorenzo traga dentro de seus genes minha relutância em dormir. Ele boceja. Resmunga. Mama de olhos fechados. Escuta o som da rádio. Faz de tudo. Mas não é muito a fim de dormir. Claro que estou exagerando para uma criança de vinte e poucos dias, mas é como se ele estivesse olhando pra minha cara e dizendo. Teu tempo de assistir tv atirado no sofá, de ler demoradamente um livro no banheiro, de escrever enlouquecido com um copo de vinho ou cerveja do lado? Isso não te pertence mais. É.
Não pertence mesmo.
Mas acredito que todos aqueles que decidem ser pai ou acontecem, sim, ainda tem pais que acontecem na classe média, tenham conscientes que uma nova adaptação do tempo deve ser feita. E que essa adaptação não precisa necessariamente resultar em cortes absurdos ou restrições para a rotina dos pais. Basta que esses saibam adaptar seus afazeres, e prazeres também, aos horários do novo amigo que veio para ficar. Afinal, pais que não reservam um tempo para fazer suas coisas, suas individualidades, viajarem na batatinha, ficarão neuróticos, psicóticos e altamente estressados. Depois a criança cresce e tem que ouvir olha o que eu fiz por ti ou trabalhei como um condenado sem direito a dormir pra tu me fazer isso, blábláblá. Tsc Tsc Tsc.
Espero nunca fazer isso. Imploro a mim mesmo para não fazer isso com o Lorenzo. Faço o que faço, mesmo que perdendo a paciência muitas vezes, ou deixando de fazer o que gostaria de estar fazendo, porque eu quero. Porque quando ele me olha de lado no meu ombro e fixa o olhar em mim, mesmo que os psicólogos ou médicos ou filhos da puta qualquer digam o contrário, que ele nem está olhando pra mim, tudo fica mais fácil, até mesmo saber que posso conseguir ultrapassar o medo atrelado a esse sentimento todo. O medo natural de amar. Esse medo que nos torna cínicos e sarcásticos. Esse medo que me assombra. No olhar de meu filho enxergo o meu próprio reflexo quando era uma criança frágil e cheia de instintos primitivos e livres. E revivo tudo isso com ele. Eu que não deixei de ser criança, e talvez nunca deixe, tenho a oportunidade de, por alguns míseros instantes, voltar para minha felicidade eterna e insuperável. Voltar a ser livre como os sonhos de uma criança. Quem vive assim, penso eu, encontra o algo inexplicável da vida. Que eu chamo assim mesmo. De algo.
Marcelo Benvenutti, pai do Lorenzo.
O Lorenzo é um menino bem calmo até. Só berra, mas berra mesmo, quando tem fome. A cada 3 ou 4 horas ele tem fome. Como a mãe não tem tempo e nem leite suficiente para amainar a sede do moço, é muita fome, fome desesperada, fome ensandecida de brabeza, temos que apelar para o leite em pó.
Começamos usando uma mamadeira menor e um bico feito para dificultar a sucção e que tenta evitar as cólicas. O Lorenzo veio antes do tempo e, dizem, como todo prematuro tem preguiça de mamar no peito, o que juntando com a personalidade inerente do guri, que já deu pra notar, é calmo quase o tempo todo, mas quanto fica brabo, fica muito brabo e briga e soqueia o peito da mãe, não nos resta ter paciência e tentar educar matando a fome dele o mais rápido que for possível sem que isso possa lhe trazer problemas como cólicas, vômitos ou soluços em demasia.
Quando eu dou a mamadeira pra ele, ligo o rádio, troco de estação, coloco um cedê, ainda não dá pra trazer ele pra sala fria então esqueço a possibilidade de assistir um filme para me entreter e me manter acordado, e tento não me irritar. Tento.
Dia desses, me irritei, o que é normal, apesar das reclamações normais da mãe com minha impaciência. Cheguei do trabalho e destruído pelo cansaço e o sono me apaguei na cama e fui acordado a meia-noite com a fome do Lorenzo. Passadas mais de duas horas a fome dele ainda não estava aplacada. E a minha estava no auge, afinal meus 90 quilos pediam nutrientes depois de mais de 14 horas sem comer nada. Mas mesmo com toda essa explosão de raiva, depois acabo me rendendo.
Me rendo quando o coloco no ombro e ele perde o olhar me observando enquanto espera um arroto ou uma golfada de leite na minha camiseta. Me rendo porque amo essa figurinha e controlo minha ansiedade em que ele possa se comunicar melhor comigo. Me entrego mesmo cansado e irritado porque a paternidade mais que prover o filho de alimento, de moradia, de saúde, coisa que em países menos corruptos seria segurada pelos impostos que todos nós pagamos, mais os pobres que os ricos, acreditem, por mais que a classe média morra em sua cegueira diária e escrota, é alimentar o filho de intangibilidades.
Intangibilidades que não são medíveis. Que não podem ser estabelecidas por leis, por tribunais, disputadas por advogados, defendidas por médicos, psicólogos ou psiquiatras. A intangibilidade do amor ultrapassa até mesmo a distância, o tempo e o medo disfarçado de segurança profissional. Não somos seguros materialmente. Nunca seremos. Esqueçam essa parte da vida. Tento manter meu conforto o máximo possível de acordo com a minha paciência. Mas prover meu espírito de sentimentos como sinto quando abraço o Lorenzo é impensável. O sentimento de tê-lo ao meu lado é eterno. Posso estar aqui escrevendo e sentindo tudo de novo. É amor. É amor quando amamos alguém e mesmo sabendo que não estamos o tempo inteiro juntos, estamos juntos. O amor de pais e filhos é um uma paixão nova e que a cada dia estou aprendendo como é linda, pura e verdadeiramente bela. Dá até medo dizer que é o mais belo de todos os sentimentos.
Dá até medo dizer que sempre chorei vendo filmes de amor entre pais e filhos e nunca tive a mesma sensação quando assisti a filmes românticos de amor entre homem e mulher. Não que eu não seja romântico. Continuo sendo romântico, mesmo que tente manter uma falsa e mal disfarçada fama de mau, e burro. Agora mesmo fiquei assistindo um filme bem fraquinho e me emocionei. Um dia muito especial. Ou algo parecido. Ta certo que a mãe do filme era a Michelle Pfeiffer, que apesar de linda é uma atriz mediana, e o pai era o George Clooney, que como a conta a piada do cara que chegou em casa e pegou a mulher transando com outro e quando ia começar uma pancadaria o cara se virou e era o George Clooney e o corno comentou: Ah, é o George Clooney! Virou as costas e foi pra sala despreocupado, mas sempre chorei quando vi o amor de pais por filhos. Como nesse filmezinho fraco e bobo.
É o mesmo choro que me vence no final do Poderoso Chefão 3.
Mas não me venham com O Campeão.
Tenho um lado descendente de italiano, mas não chego a tanto.
Ps.: Era para falar mais sobre mamadeiras, mas o assunto descambou para cinema. E aí o perigo de eu errar e destrambelhar é bem maior. Ainda mais se daqui a pouco passar de novo Butch Cassidy e Sundance Kid. Que não tem nada a ver com paternidade. Mas que me deixa bem feliz. Também.
Ps2.: Esperando Lorenzo acordar com fome, o copo de cervejinha acabando, quase 3 da manhã, a Betine bela adormecendo, vou ver se combato a insônia assisto algum seriado retardado na tv a cabo.
Boa noite!!!
Marcelo Benvenutti, pai do Lorenzo.
Antes de escrever sobre a hora de mamar aproveito para agradecer os comentários elogiosos para com este blogue. Eles me deixam sensibilizado e alegre, apesar da arrogância e convencimento do autor. Eu sei que eu sou um bom escritor. Mas nunca é demais falar bem de mim mesmo de vez em quando, não é?
Depois enumero as seguintes respostas a alguns comentários aqui feitos pelos leitores:
1 – Desculpem-me aqueles que se ofenderam em eu dizer que nem é tão difícil assim lidar com fraldas e a sujeirada que os bebês fazem. Também podem guardar suas opiniões sobre o que irá acontecer daqui 5 meses, 12 meses ou 10 anos. Eu vivo a vida em cada momento que ela é vivida. Certamente muita gente deixa de ser feliz porque adianta os acontecimentos e as sensações daí decorrentes. Para esses arautos da chatice e da desgraça só tenho a dizer o seguinte: Danem-se!
2 – Aos que estranham alguém gostar de noitadas se dar tão bem com a paternidade: A mesma paixão que move os bêbado e os loucos, move as crianças. Essa trindade é iluminada. Eles têm a liberdade de serem autênticos onde estiverem. Eu me reservo essa liberdade.
3 – Garanto que muitos boêmios e amantes da vida noturna amaram até mesmo mais intensamente seus filhos que muitos pais zelosos e cumpridores dos deveres sociais. O estereótipo de paternidade, e maternidade também, é uma embalagem criada por um sistema social idiota e covarde. Assim como outros estereótipos.
Por enquanto era isso. Se existe exagero nos comentários acima é porque com o tempo aprendi que boa parte das pessoas não tem o mesmo espírito sarcástico e irônico, mesmo que contraditoriamente apaixonado e sentimental, que o meu e é melhor deixar certas coisa explícitas antes que joguem fora a criança e coloquem para dormir a água suja.
Marcelo Benvenutti, pai do Lorenzo.
Pois o maior dos mitos que cerca a paternidade, e a masculinidade aí incluída, é a troca de fraldas. Quanto você escuta uma mãe, nesse papo bem mais mulher que mãe, falando em como o pai de seu filho, seu marido, namorado ou seja lá o que for que eles combinaram se tratar, cuida do rebento, logo vem a afirmação. Ele até troca as fraldas! E um sorriso sincero e orgulhoso se forma no rosto da mãe em questão. Vitória.
Então, como dizem os paulistanos, não é bem assim, mano. Cês tem que se ligar no seguinte. Agora já falando por experiência, eu acredito que trocar a fralda é a maior barbada. O Lorenzo dorme bastante como um recém-nascido em formação. Quando acorda, antes de urrar de fome, a gente troca a fralda dele. Como ele resolveu nascer num desses que dizem vai ser o inverno mais frio dos últimos tempos, o abrir de botões de roupas e tirar de calças é mais demorado que a troca de fralda propriamente dita. Passada a fácil inicial do mecônio, aquele cocozinho chiclete e sem cheiro das reservas que ele tinha na barriga, começa a cocozeira propriamente dita. Fedorenta e espalhafatosa. E a xixizeira do pinto duro pra todos os lados da roupa. Tudo isso é normal. Para a roupa tem uma invenção moderna que a classe média não tem do que reclamar. Máquina de lavar roupas.
Quando chega na parte das fraldas, o cara abre o lacre da caixinha de surpresas, que não tem surpresa nenhuma, a não ser que a criança esteja tomando muito leite em pó, que causa um atraso no cagar, quem não for “nojento” pare de ler o texto e não me encha depois com papos do tipo “ai, que nojo”, pais não têm direito a tais frescuras. O que tem do lado de dentro da fralda é uma merdalhada esparramada e bem fedorenta.
Começando (adendo, tá tocando Wolfmother e depois Jet na MTV agora, bons sons, dá vontade de fazer barulho e dançar, mas ainda não vou fazer isso, pois a Betine descansa no quarto e o Lorenzo ainda não se manifestou na madrugada gelada. A merda, olha ela aí de novo, é que acabou o vinho e tem dias que é um saco não ter um álcool no corpo, mas fazer o quê, né? Na hora de fazer foi bom.), limpo o grosso da merda com a parte de cima da fralda que estiver sequinha. Assim economizo papel umedecido que é caro e detona os orçamentos familiares. Depois com apenas uma folhinha, com o Lorenzo ainda rola fazer assim, limpo o resto entre o saco, coxas, essas coisas. Podem acreditar que no futuro ele vai ter vergonha de saber que a mãe fazia isso. O pai já vai ser diferente. Vai comentar que ele era sacudo como o velho. Depois de tudo limpo, passamos uma pomadinha pro moço não se assar entre as partes, que é bem incômodo e atrapalha a vida da criança e dos pais insones. Arrematamos tudo com a fralda nova, o Lorenzo ainda ta no tamanho RN, coisa que não prevíamos, logo já tivemos que repor algumas fraldas que ganhamos dos amigos e das famílias por conta da prematuridade do guri. Fecha-se a fralda retirando a proteção do adesivo lateral e ensacando bem o piá. Depois coloca-se a roupa de inverno antes que ele comece a espirrar e ter soluços, algo bem normal e que os pais não devem se assustar. Recém-nascido espirra e soluça mais que o comum.
Imaginem como era a operação acima quando a maioria de nós nasceu? Fraldas de panos que tinham que ser lavadas todos os dias. Apetrechos para segurarem as fraldas. Roupas sujas antes do tempo. Tempo perdido lavando roupa no braço, olhem pros braços de muitas mulheres com mais de cinqüenta ou sessenta de anos que foram donas de casa e mães e verão que ainda existe uma força incomum neles. As mulheres criavam ombro fazendo essa musculação diária. Acabavam ficando com o visual daquelas matronas de filmes italianos do Neo-Realismo. Pensem nisso quando resmungarem das trocas de fraldas e agradeçam por terem nascido no final do século vinte em famílias de classe média que as abastecem dos apetrechos tecnológicos que facilitam nossas vidas.
E pensem que a modernidade criou essa espécie de homem não lá muito homem como nas antigas. Ele abdica dos bares e dos amigos bebuns. Joga de lado a vida pregressa e se atira em curtir esses anos de paternidade com toda a intensidade que lhe for possível. Ele não está perdendo nada. Os amigos que forem amigos mesmo irão respeitar essa época de sua vida e estarão esperando por ele de braços abertos quando a felicidade paterna amainar e eles saírem da catarse avassaladora que é experimentar a sensação de amar alguém tão pequenino que tem no olhar a pureza que ele não encontra nos adultos ou mesmo em crianças menores. Um olhar sincero e verdadeiro que não me atrevo a descrever. Aproveitem bem essa época como eu estou aproveitando. E esqueçam das imundícies das fraldas. Muitos de vocês já fizeram coisas muito mais nojentas. E muitas delas nem foram por amor, não é?
Marcelo Benvenutti, pai do Lorenzo.
(próximo capítulo: a hora de mamar)
Muitos são os relatos de escritores sobre a calma e a concentração necessárias para se escrever. Eu não concordo muito com tais relatos pois quando me concentro escrevendo me desligo de tal forma do que acontece na volta que as pessoas que convivem comigo nesses instantes irritam-se facilmente.
Nesses primeiros dias de pai, entre um cochilo, uma mamadeira e uma fralda, o tempo que sobra acaba sendo utilizado para ir ao banheiro, assistir bobagens sem nenhuma noção com o controle remoto na mão, quando a mãe não está assistindo o People & Arts, e ficar bisbilhotando a vida alheia na internet. Diria mesmo que pra mim um bom escritor tem que ser meio lavadeira.
Ao contrário da época da gravidez, que em termos mentais dura mais ou menos uns sete anos, em que tudo fica meio travado, à espera do algo que virá, truncado pela ansiedade do parto, sim, pois o pai também engravida, depois do parto tudo passa rápido e nem dá tempo de pensar no que aconteceu no dia anterior tantas são as novas informações adquiridas pelo bebê e pelos pais.
E nem me venham com esse papo de livros de auto-ajuda gravidais. Eu tentei ler alguns do tipo Criando Meninos, esse quem comprou foi a mãe depois que a ecografia deu a certeza do sexo, e Criando Bebês ou algo assim. Lógico que existem muitas informações úteis para neófitos e outras tantas que são exageros da nossa sociedade contemporânea controladora e politicamente chata. Eu mesmo só me interessei por um chamado A Linguagem do Bebê. Este tinha, como eu digo, bastante figurinhas, e livros instrutivos com muitas ilustrações são mais compreensíveis quando o leitor é um ansioso estabanado como eu. Não que não goste de ler, mas grande parte dos livros são escritos por pais repartindo experiências, assim como eu aqui neste blogue, só que usando uma linguagem mamãe e papai por demais antiquada e babona. Fora isso me interessa muito a comunicação com a criança. Se eu conseguir entender com maior rapidez e eficiência o que ela estiver me transmitindo, melhor farei o resto.
Na segunda semana o Lorenzo já fica mais tempo com os olhos abertos e quando o coloco no ombro, como na foto deste que acompanha este texto em que ele já sugou bastante a mãe e cansou-se de observar o quarto, fica mais atento a tudo que o rodeia.
Confesso que agitado como eu sou não me dou muito bem com crianças tão pequeninhas quanto é o Lorenzo agora. Quando a Betine dar de mamar pra ele ou eu pego da mamadeira com o leite materno armazenado, óbvio, ou um nanzinho básico, muitas vezes fico falando sem parar ou repetindo palavras ritmadas. Algumas vezes iniciamos o guri num sonzinho, pois os horários de refeições do moço podem se tornar intermináveis e sonolentos, ainda mais num quarto com aquecedor para combater o frio úmido de Porto Alegre no final de maio.
Para começar, e agradar o gosto musical da mãe, saímos com um ao vivo dos Rolling Stones dos anos 90 e depois coloquei um NOW! dos mesmos Stones só que lá do comecinho. Noutro dia coloquei, pra desespero de muitos dos meus amigos, o Hard Rock Café dos Doors, que é e continuará sendo um disco muito bom apesar da chatice dos fãs do beberrão abestalhado do Jim Morrison. No final de semana a Betine colocou o onipresente Partimpin da Adriana Calcanhoto. Eu coloquei na Continental FM e fiquei escutando Tim Maia numas versões deprês e dor de corno. Calma! Ainda é cedo pra colocar o Sabotage do Black Sabbath. Nada me garante que o guri vá curtir o Limp Bizkit de daqui uns 15 anos, não é?
Marcelo Benvenutti, pai do Lorenzo.
(amanhã escrevo sobre as famosas fraldas)