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		<title>Cerveja&#38;Fralda</title>
		<link>http://cervejaefralda.blog.terra.com.br</link>
		<description>As aventuras de um pai de primeira viagem envolvido com fraldas, mamadeiras, cervejas e muita vontade de escrever.</description>
		<language>pt-BR</language>
		<docs>http://backend.userland.com/rss092</docs>
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			<title>Pastel de Carne</title>
			<description>Quando eu era crian&#231;a, j&#225; l&#225; pelos 8 anos de idade, na hora do almo&#231;o, eu estudava de tarde, ia incomodar minha m&#227;e que estava &#224;s voltas com o fog&#227;o e a comida para o meu pai que chegaria com fome e exigindo variedade de pratos para degustar.
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Para me deixar quieto e fazer algo de &#250;til, ela me ensinou a arrumar a mesa, os pratos, os talheres. Outras vezes me mostrava como separar o feij&#227;o (naquela &#233;poca vinha de tudo no meio do feij&#227;o). Ou bater a carne do bife com o martelo de ferro, o que pra mim era demais.&#160;Mas o que eu gostava mesmo era quando ela fazia guisado de carne temperado e me dava a oportunidade de fechar a massa dos past&#233;is onde seria colocado o guisado.
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Abria uma por uma aquelas massas prontas e redondas que se compram no supermercado, separando cada uma do pl&#225;stico que as separavam, e as colocando emparelhadas na mesa da cozinha. Molhava a ponta dos dedos num copo de &#225;gua e passava nas bordas pra dar uma liga, colocava o guisado &#224; vontade, muitasvezes jogando azeitonas descaro&#231;adas pelos cantos, peda&#231;os de ovo cozido, o que mais desse vontade de colocar junto com o guisado no recheio dos past&#233;is. Depois eu fechava com um garfo. Pastel por pastel. Eu realmente era feliz fazendo isso e sentia um prazer espont&#226;neo e sincero. 
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Depois minha m&#227;e colocava os past&#233;is para fritar e eu ficava l&#225; observando e esperando que meu pai chegasse logo para que eu pudesse devor&#225;-los. N&#227;o todos, claro. Afinal, somos tr&#234;s irm&#227;os homens e na hora de comer todos ganhavam a mesma quantidade de comida. Pelo menos t&#237;nhamos a oportunidade de ter a mesma. E comer tudo o que se colocasse no prato. Algo que aprendi e n&#227;o consigo desaprender.&#160; At&#233; hoje fico triste quando n&#227;o como tudo que coloquei no prato. Algo na minha consci&#234;ncia diz que &#233; errado. Como se fossem as vozes dos meus antepassados que passaram necessidade falando pela educa&#231;&#227;o que minha m&#227;e&#160;me deu na inf&#226;ncia.
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Me recordo de tudo isso agora quando estou apresentando a trilha sonora do Bucht Cassidy e Sundance Kid pro Lorenzo enquanto troco sua fralda e lipo sua bunda toda cagada. N&#227;o existe nada de nojento em trocar fraldas. O Lorenzo j&#225; come doce e salgado e bebe sucos e leite e mesmo o fedor sendo cada vez mais forte e a cocozada cada vez mais intensa, nada me provoca asco ou repugn&#226;ncia.&#160; Trocrar fraldas &#233; assim. Como fechar past&#233;is. 
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S&#243; que ao contr&#225;rio.&#180;
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Marcelo Benvenutti (pai do Lorenzo)</description>
			<link>http://cervejaefralda.blog.terra.com.br/pastel_de_carne</link>
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				<item>
			<title>PULANDO</title>
			<description>N&#227;o, o Lorenzo ainda n&#227;o aprendeu a caminhar. 
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Ele balbucia algumas palavras mas nada que seja decifr&#225;vel. No m&#225;ximo um &#34;maz&#225;!&#34; porto-alegrense.
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Ele j&#225; atende pelo nome dele o que &#233; um &#243;timo press&#225;gio e um aprendizado tamb&#233;m para os pais, que n&#227;o ca&#237;ram na armadilha do apelido e criaram um complexado pro resto da vida. Lorenzo &#233; Lorenzo, n&#227;o &#233; gordo ou batatinha.
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Com a m&#227;e ele faz arte e festa. Com a bab&#225; ele dorme ou vai para a pracinha paquerar as meninas mais velhas de um ano de idade. Com o pai ele assiste desenho e futebol e filme de macho. Mas ele tamb&#233;m curte um computador.
&#160;
E foi vendo o pai mexer no computador que ele j&#225; destruiu um mouse, por descuido e falta de esperteza do pai. Agora ele assiste tudo de dentro do cercado. S&#243; que esta semana, a semana que ele completa sete meses, ele descobriu que endurecendo as pernas pra frente ele faz uma alavanca para impulsionar os bra&#231;os e se agarrar com as duas m&#227;os na borda do cercado e tentar alcan&#231;ar o mouse do computador. Essa mesma for&#231;a pode fazer com que ele queira dar uma volta fora do cercado. O que provocou espanto no pai e fez ele pensar na mesma hora:
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ELE SE MOVIMENTA POR CONTA PR&#211;PRIA!!!
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(continua outra hora que agora estou atrasado para ir pra casa. &#233; a vida de pai bab&#225;. aproveitar o m&#225;ximo que d&#225; para colocar o trabalho em dia. em casa, sem chances)
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&#160;</description>
			<link>http://cervejaefralda.blog.terra.com.br/pulando</link>
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			<title>Friday Night Fever</title>
			<description>&#160;
Sexta de noite. Chego em casa atrasado, Oito e cinco. J&#225; est&#225; na hora da Cris, a bab&#225; do Lorenzo que faz al iga&#231;&#227;o entre o hor&#225;rio de sa&#237;da do trabalho do pai e o de entrada da m&#227;e, ir para casa. Lorenzo toma mamadeira enquanto a Cris deixa rolar um ced&#234; desses de m&#250;sicas infantis. Pergunto para a Cris se ela n&#227;o sente sono escutando aquilo e ela responde que sim. O Lorenzo tamb&#233;m. E adormece.
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Depois que a Cris se vai aproveito o momento de cochilo do Lorenzo (voc&#234;s acham que ele vai dormir at&#233; de manh&#227;, n&#233;?) e vou tentar fazer algo para comer. O m&#234;s de outubro tem sido t&#227;o agitado que mal tivemos tempo para ir ao supermercado repor as compras de comida de adulto. Como nenhum dos dois, pai e m&#227;e, &#233; um ex&#237;mio cozinheiro (bem de longe), pego uma daquelas sopas de um litro prontas de saquinho. Creme, na verdade. Pois eu sou daqueles que perde tempo lendo o modo de preparo, afinal n&#227;o sei fazer mesmo, e sigo as instru&#231;&#245;es para que o preparado fique mais cremoso. Tr&#234;s quartos de &#225;gua e um de leite. A receita &#233; assim porque o produto &#233; da Nestl&#233; e &#243;bvio que querem incentivar o consumo de leite. Eu sou burro mas n&#227;o sou dois. Enquanto preparo o creme de ervilha com bacon, diz que tem bacon no creme, vamos ver, abro o congelador, tiro minha Smirnoff de l&#225; e fa&#231;o um samba de coca-cola com gelo. Nada que um dono de casa deva fazer, claro, mas que deixa a vida bem mais alegre, isso deixa.
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L&#225; pelas nove o Lorenzo acorda. Ele quer brincar no cercado apesar de n&#227;o saber sentar direito, de cabecear pra frente e quando volta escorrega nos travesseiros que colocamos pra proteger ele e come&#231;a a resmungar que quer levantar. Depois fica paralisado como se tivesse viajando em &#225;cido assistindo os bacyardigans, um desenho feito para quem tomou muito cogumelo nos anos setenta, boa parte dos desenhos feitos para beb&#234;s s&#227;o assim. Uns bichos pirados e meio chatos que saem do jardim e v&#227;o cantando pelo mundo e pela hist&#243;ria mas na verdade n&#227;o saem de perto de suas casas. O epis&#243;dio de hoje &#233; quando a hipop&#243;tama (existe essa palavra?) se transforma na Cl&#233;otacha, uma rainha eg&#237;pcia que tem que satisfazer os desejos da esfinfe e descobre que o segredo da vida, ou algo que o valha, encher o rio Nilo parece, &#233; dizer Por Favor e Obrigado. Eu j&#225; assisti umas tr&#234;s vezes esse desenho. Mas confesso que gosto do desenho da polca do O Minhoco. Voc&#234;s sem filhos pequenos n&#227;o conhecem? Deviam ver que efeito faz quando se toma uma samba de vodca e se brinca com o pr&#243;prio filho. Como bem disse Johnny Depp, ter duas filha, ele tem duas filhas, em casa &#233; como conviver com dois amigos b&#234;bados o tempo inteiro.
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Agora o Lorenzo se apaixonou pela cadelinha, a Duda. Quer pegar ela. Brincamos com a Duda na medida do poss&#237;vel para que ela n&#227;o machuque o Lorenzo. S&#243; que ele quer pegar ela e apertar. Outro dia mesmo pegou na pata e puxou com for&#231;a e a coitada saiu esgani&#231;ando desesperada. J&#225; estou prevendo quando ela vai come&#231;ar a fugir dele. 
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Depos brincamos de levantar o Lorenzo no alto e fazer bl&#243;bl&#243;bl&#243; na barriga dele. Para a m&#227;e e as av&#243;s n&#227;o &#233; aconselh&#225;vel tal brincadeira. Afinal o malandrinho deve estar chegando perto dos oito quilos e n&#227;o &#233; muito c&#244;modo levantar um chumbinho para cima e para baixo. Eu fa&#231;o. Me lembra que faz um ano que n&#227;o vou na muscula&#231;&#227;o e jogo minha energia acumulada em algo objetivo e saud&#225;vel. Poderia ter eu sido um boxeador, mas n&#227;o ia seguir as regras. E ia apanhar. Poderia ter me metido na pol&#237;tica, mas n&#227;o concordaria com quase nada e certamente ficaria feliz em conceder aos outros darem opini&#245;es de vez em quando enquanto eu me sentiria bem em ser um d&#233;spota esclarecido e pai dos pobres e oprimidos. N&#227;o ia dar certo. Poderia jogar a energia no papel e ser um escritor que &#233; o que sei fazer. Mas, pera&#237;? Eu sou um escritor, Lorenzo. Mas independente de todos os livros que eu possa escrever e de toda a gl&#243;ria que eu possa alcan&#231;ar, e pretendo, claro, nada vai se aproximar das p&#225;ginas que estamos escrevendo agora.
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Depois chega a hora de limpar a bunda do rapaz. Eu poderia colocar o ced&#234; de m&#250;sicas infantis. Mas para que fazer isso se n&#243;s podemos escutar o Back in Black do ACDC? Eu confesso que o Lorenzo adorou o Back in Blsack, mas n&#227;o significa muito, pois acredito que se fosse Green Day ele curtiria do mesmo jeito. Enfim, a festa continua, Lorenzo toma mais duas mamadeiras at&#233; a hora da m&#227;e chegar e nos encontrar, um cansado e quebrado, e o outro, rabugento e irriquieto. 
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E n&#227;o pensem que acabou por a&#237;. Escrevo s&#225;bado ao meio-dia mas o espertinho deve ter feito bagun&#231;a at&#233; as seis da manh&#227;, como quase sempre. Eu s&#243; aguentei at&#233; as 4 e meia. T&#227;o achando o que? &#201; sexta de noite, gurizada.
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Dia de festa na casa do Lorenzo!
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Marcelo Benvenutti, pai do Lorenzo.
&#160; </description>
			<link>http://cervejaefralda.blog.terra.com.br/friday_night_fever</link>
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			<title>Ilumina&#231;&#245;es de Lorenzo</title>
			<description>&#160;
O rosto muda todo dia. O olhar percebe coisas novas que n&#227;o podemos imaginar. Cores, sons, objetos. A voz do pai ou da m&#227;e ou de outra pessoa mais chegada tem entona&#231;&#245;es diferenciadas que provocam as rea&#231;&#245;es mais surpreendentes poss&#237;veis. 
Cada despertar &#233; uma descoberta. Cada abrir de olhar &#233; um novo dia. &#201; uma nova obra. &#201; um poema constante sendo desenhado na mente de Lorenzo. Nesse mundo de sonhos em que a vida &#233; mais vida que em qualquer outra fase da vida tudo fascina ou assusta. N&#227;o existe muita diferen&#231;a entre o fasc&#237;nio e o assombro. Lorenzo &#233; uma p&#225;gina em branco sendo escrita, rabiscada, desenhada, colorida. 
Muitas vezes os pais est&#227;o cansados. A vida adulta &#233; cheia de deveres exageradamente valorizados. Repleta de desejos obtusos e prazeres moment&#226;neos. Lorenzo vislumbra um peda&#231;o da minha m&#227;o e sorri. Agarra a m&#227;o. Aperta. Se eu largo, ele reclama. Depois esquece da m&#227;o e sorri observando um quadro colorido na parede. Mexe as m&#227;os. Ele quer apertar o quadro. Escuta uma m&#250;sica vindo de algum r&#225;dio ou televis&#227;o. Quer pegar a m&#250;sica no ar. n&#227;o consegue. J&#225; esquece de tudo de novo e enfia a m&#227;o na boca. A gengiva incomoda. Chupa os dedos. Baba. Tira a m&#227;o da boca e se d&#225; conta que tem fome. Ele n&#227;o chora. Berra. Fica brabo. E berra mais alto ainda. Correndo algu&#233;m lhe prepara a mamadeira. Ele abre a boca desesperado e quase engole o bico no primeiro gole. Depois de algumas sugadas, p&#225;ra, respira fundo e suspira. Depois fecha os olhos e abre para encarar o pai e sorrir deixando escorrer leite pela roupa. Sua risada navega pelos sonhos derivantes de um oceano sem horizontes chamado vida. 
Como &#233; simples a felicidade de Lorenzo. 
Como seria simples viver de t&#227;o pouco. 
A felicidade &#233; um pontinho que de t&#227;o pequeno se multiplica por todos os pontos do universo. 
Marcelo Benvenutti - pai do Lorenzo.</description>
			<link>http://cervejaefralda.blog.terra.com.br/iluminacoes_de_lorenzo</link>
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			<title>TEMPO</title>
			<description>&#160;
QUERIA EU TER MAIS TEMPO 
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PARA QUE O TEMPO 
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N&#195;O ME ABANDONASSE
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&#160;(Marcelo - pai do Lorenzo)
&#160;
&#160;</description>
			<link>http://cervejaefralda.blog.terra.com.br/tempo</link>
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